Dia 6 - Munnar
Hoje o dia começou cedo com um passeio em uma plantação de chá organizada pelo hotel. Foi muito legal. O clima meio frio, um espaço muito silencioso e a paisagem linda. Algumas fotos do passeio:
As folhas de chá são colhidas à mão. Os trabalhadores caminham por esses corredores estreitos entre os arbustos e colhem só as folhas da parte de cima, com as mãos ou usando tesouras de jardim. Aí as folhas crescem de novo e entre 30 e 45 depois já estão prontas para uma nova colheita. Reparem como as folhas de cima são bem mais claras do que as de baixo.
De 5 em 5 anos eles cortam o arbusto inteiro para ele crescer inteiro de novo. Em 3 meses já está pronto pra colher novamente.
Voltei para o hotel pra tomar café da manhã e me deparei com a linda vista com o sol da manhã:
Depois as folhas são trituradas em trituradores cada vez mais finos e peneiradas. O pó resultante é o que usamos pra fazer o chá. É um processo bem simples e antigo.
Aqui alguns dos processos mostrados no museu. Primeiro a secagem. As folhas ficam sobre uma tela e sopra um vento quente por baixo:
Depois passam por uma sequencia de trituradores e em um cilindro para fermentação:
Finalmente são peneiradas:
Os outros pontos turísticos depois do museu não foram tão legais: um jardim de flores, todas em vasos, uma represa e um lugar onde dá pra ouvir o eco da sua voz. Todos bem cheios de turistas mas nenhum mereceu a popularidade. Seguem algumas fotos pra vocês verem:
Bom, o programa acabou cedo e o Shefeeq me levou pra fazer um passeio com um jipeiro (o Shefeeq é quem manda). Foi parecido com o primeiro passeio de jipe: paisagens bonitas, mas bem Ô Minas Gerais. Primeiro fomos a uma cachoeira:
Depois fomos ver mais uma represa e o rio que desce dela:
E por último fomos a um mirante onde de um lado dá pra ver o nascer do sol e, do outro, o por do sol. Claro que eu não vi nenhum dos dois, porque eram 3 da tarde:
Bom, aí encerrou-se o dia de turismo. O passeio de jipe foi até divertido porque o motorista, cujo nome não entendi, era mucho loco e parecia mais um passeio de montanha-russa. Como eu acabei de voltar de Orlando, não estranhei. E no final ele fez questão que eu tirasse uma foto com o jipe:
Agora uma curiosidade que tem me chamado a atenção desde que cheguei aqui. A India é predominantemente da religião Hindu - 80% do total. Muçulmanos são 14% e cristãos, só 2%. Só que aqui em Kerala tem muito mais cristãos - 18%. Mesmo assim ainda acho pouco, porque a impressão que dá ao se viajar por aqui é que o Cristianismo é maioria. Tem igrejas pra todo lado e, mais ainda, tem tipo uns ofertórios (deve ter um nome correto pra isso) pequenos em toda parte, tipo esse:
Esse é até bem grande, tem um espaço onde cabem umas poucas pessoas, mas tem uns bem menores e sem nenhum espaço interno. Agora, todos tem alguma imagem de santo. Vi muito mais construções católicas do que templos Hindus. Como explicar?
A resposta é que as religiões funcionam de forma diferente. No Hinduismo as pessoas tem pequenos altares nas suas casas onde fazem suas orações. Não tem o conceito de "missa", um evento regular em que as pessoas se reúnem para ouvir o sacerdote e participar de uma cerimônia. O templo Hindu é um lugar que abriga um deus, quase sempre na forma de uma estátua, onde as pessoas vão quando estão querendo ter um papo mais íntimo com a divindade por alguma questão mais séria. Nos templos também acontecem cerimônias, mas não são tão frequentes.
Por isso tantas estruturas católicas pequenas com imagens dentro. A tradição Hindu é que as divindades estão presentes na forma de estátua, e que as orações acontecem de forma rápida e na presença desses altares. Os Hindus que se converteram conseguem assim continuar da forma como estão acostumados. Só trocam a divindade.
Por que tantos católicos aqui? Aparentemente lá no século 1, São Tomás, o apóstolo, esteve aqui no sul da India e instalou o cristianismo. Aqui tudo é São Tomás isso, São Tomás aquilo, por toda parte. Aí o cristianismo ganhou forças nessa região.
Amanhã vou fazer de novo a caminhada do chá e, logo em seguida, parto para a última parte da viagem: Kochi.

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