Dia 2 - Alleppey Houseboat

Hoje acordei cedo e partimos para uma viagem de 5 horas que acabou levando 5 horas e meia. E olha que são menos de 200km! Deu uma média de menos de 40 km/h. 

Durante o caminho eu vim observando o país e fiz algumas observações aleatórias:

  • Vi muitas placas e pinturas com a foice e o martelo. O partido comunista deve ser bem forte por aqui.
  • O trânsito é incrivelmente assustador e bizarro no início, mas aos poucos vou entendendo como funciona. As buzinas soam o tempo todo, mas são usadas para comunicação quando os carros ou pedestres não estão te vendo, e não pra demonstrar indignação. E você pode trafegar em qualquer parte da rua, inclusive na contra-mão e no acostamento, desde que seja em um lugar onde os carros que vem de outras direções consigam te ver e desviar. E a preferência é de quem chegou primeiro, mesmo que seja por décimos de segundo.
  • Apesar de todo o caos nas ruas e estradas, a taxa de fatalidades no trânsito é exatamente igual à do Brasil. Hoje eu vi um acidente de trânsito pela primeira vez - um caminhão bateu em um carro por trás. Parece que foi de leve, mas interrompeu metade da via.
  • Academias de ginástica têm horários separados para homens e mulheres
  • No Brasil o comércio que vende pães e bolos se chama "padaria" porque o principal é o pão. Aqui se chamam "cake house" ou "bake house" porque o principal é o bolo.
  • Os homens aqui se tocam muito mais do que no ocidente. É comum ver homens andando abraçados, com as mãos nos ombros uns dos outros, se encostando enquanto conversam, e com uma proximidade física que a gente não vê no Brasil.
  • Uma coisa que estranhei muito foi o comportamento em filas. Toda vez que entrei em uma fila, seja no aeroporto, pra entrar em um templo, ou onde quer que seja, o homem que estava atrás de mim "colou" em mim fisicamente e eu não conseguia ficar livre do contato físico de jeito nenhum. A impressão que eu tenho é que as filas são muito compactas porque um espaço qualquer é um convite para alguém entrar e furar a fila.
Quase 99% dos homens que eu vi hoje vestiam camisa de botão com gola. É raro ver alguém com uma blusa de malha, e sempre é algum jovem. Em Bangalore eu diria que era só 80% dos homens com camisa de botão. E todos usam ou calça comprida, ou uma saia chamada Lungi que às vezes eles dobram no meio e prendem na cintura para ficar mais curta na hora de caminhar ou por causa do calor.


Já as mulheres se vestem de maneiras mais variadas, em geral ou com os tradicionais saris ou com vestidos curtos com calças por baixo, mas também vi várias com blusas de abotoar e calças. A impressão é que quanto mais jovem a mulher, maior a chance dela se vestir de forma mais ocidental. As senhoras mais idosas estavam todas de sari.

Vi algumas mulheres policiais aqui, mais do que em BH. Agora, se o policial for homem, é necessário ter um bigodão:



Outra coisa interessante é que nos quase 200km que percorremos hoje, nós passamos por muitas cidades pequenas e, entre elas, não havia espaço vazio. Não teve nenhum trecho em que eu olhasse para os dois lados e não visse alguma construção. Eu até conseguia ver campos ou plantações mais distantes, mas a margem da estrada já está quase completamente ocupada.


Isso se explica pela densidade populacional. Kerala é 15 vezes menor em área do que Minas Gerais, mas tem uma população 60% maior. A densidade populacional é 25 vezes maior. Não tem mais espaço livre no estado, como tem em Minas. Bangalore, por sua vez, tem uma densidade "só" 2.5 vezes maior do que BH, mas dá a impressão que é mais, porque é gente, carro e moto pra todo lado.

Bom, depois da looonga viagem de carro, chegamos enfim a Alleppey para embarcar no tal "houseboat". E aí foi mais uma supresa. Eu tinha imaginado uns barcos que eu vi na internet que tem vários quartos e banheiro compartilhado. Mas não era isso: é um barco SÓ PRA MIM. Tem sala, quarto, banheiro e copa. Ganhei colarzinho de boas-vindas (tinha ganhado no hotel de ontem também) e um tour do barco:




Mas não parou por aí. Tem também um CHEF PARTICULAR para fazer minhas refeições. E olhe o que ele fez de almoço. Tudo sem pimenta nenhuma porque ele achou que eu não gostaria, mas eu avisei que no jantar ele pode apimentar um pouco. Foi comida demais, dava pra umas 4 pessoas. Mas estava muito gostosa, e foi servida em uma folha de banana conforme a tradição aqui em Kerala.



Enquanto eu almoçava, o capitão saiu para o passeio no barco. Sentei ao lado dele pra ele ir me contando coisas. Olha nós aqui:


O passeio foi no lago Vembanad, o maior de Kerala. É um lago interessante porque ele chega até o mar e, apesar de ter umas comportas, entra água do mar nele. Então parte dele é de água salgada e parte de água doce. Ao redor dele tem muitas plantações de arroz. Agora é a época de arroz, então estão todas verdinhas. Muitas plantações estão em ilhas artificiais construídas no lago para essa finalidade.



E, claro, vi muitos barcos-casa como o meu. O capitão disse que são mais de 1500 barcos levando turistas, e que navegam o ano inteiro.



Às 17:30 o barco voltou para o porto, onde estou agora. O chef já me falou qual será o cardápio do jantar. Pedi que ele faça menos comida dessa vez. O único detalhe agora é que, além de jantar, aqui não tem NADA pra se fazer a não ser contemplar o lago, mas o sol já se pôs e logo estará escuro. Ainda bem que trouxe um livro e umas séries pra assistir, e ainda bem que no barco tem internet também.

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